"Dom Casmurro" - Resumo obra de Machado de Assis
23/08/2012 01h
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Publicado
pela primeira vez em 1899, "Dom Casmurro" é uma das grandes obras de
Machado de Assis e confirma o olhar certeiro e crítico que o autor
estendia sobre toda a sociedade brasileira. Também a temática do ciúme,
abordada com brilhantismo nesse livro, provoca polêmicas em torno do
caráter de uma das principais personagens femininas da literatura
brasileira: Capitu.
- Leia a análise da obra "Dom Casmurro"
Resumo
O
romance inicia-se numa situação posterior a todos os seus
acontecimentos. Bento Santiago, já um homem de idade, conta ao leitor
como recebeu a alcunha de Dom Casmurro. A expressão fora inventada por
um jovem poeta, que tentara ler para ele no trem alguns de seus versos.
Como Bento cochilara durante a leitura, o rapaz ficou chateado e começou
a chamá-lo daquela forma.
O narrador inicia então o projeto de
rememorar sua existência, o que ele chama de "atar as duas pontas da
vida". O leitor é apresentado à infância de Bentinho, quando ele vivia
com a família num casarão da rua de Matacavalos.
O primeiro fato
relevante narrado é também seu primeiro motivo de preocupação. Bentinho
escuta uma conversa entre José Dias e dona Glória: ela pretende
mandá-lo ao seminário no cumprimento de uma promessa feita pouco antes
de seu nascimento. A mãe, que já havia perdido um filho, prometera que,
se o segundo filho nascesse "varão", ela faria dele padre. Na conversa,
dona Glória soubera da amizade estreita entre o menino e a filha de
Pádua, Capitolina.
Bentinho fica furioso com José Dias, que o
denunciara, e expõe a situação a Capitu. A menina ouve tudo com atenção e
começa a arquitetar uma maneira de Bentinho escapar do seminário, mas
todos os seus planos fracassam. O garoto segue para o seminário, mas,
antes de partir, sela, com um beijo em Capitu, a promessa de que se
casaria com ela.
No seminário, Bentinho conhece Ezequiel de
Souza Escobar, que se torna seu melhor amigo. Em uma visita a sua
família, Bentinho leva Escobar e Capitu o conhece.
Enquanto
Bentinho estuda para se tornar padre, Capitu estreita relações com dona
Glória, que passa a ver com bons olhos a relação do filho com a garota.
Dona Glória ainda não sabe, contudo, como resolver o problema da
promessa e pensa em consultar o papa. Escobar é quem encontra a solução:
a mãe, em desespero, prometera a Deus um sacerdote que não precisava,
necessariamente, ser Bentinho. Por isso, no lugar dele, um escravo é
enviado ao seminário e ordena-se padre.
Bentinho vai estudar
direito no Largo de São Francisco, em São Paulo. Quando conclui os
estudos, torna-se o doutor Bento de Albuquerque Santiago. Ocorre então o
casamento tão esperado entre Bento e Capitu. Escobar, por seu lado,
casara-se com Sancha, uma antiga amiga de colégio de Capitu. Capitu e
Bentinho formam um "duo afinadíssimo".
Essa felicidade,
entretanto, começa a ser ameaçada com a demora do casal em ter um filho.
Escobar e Sancha não encontram a mesma dificuldade: têm uma bela
menina, a quem colocam o nome de Capitolina.
Depois de alguns
anos, Capitu finalmente tem um filho, e o casal pode retribuir a
homenagem que Escobar e Sancha lhe haviam prestado: o filho é batizado
com o nome de Ezequiel.
Os casais passam a conviver
intensamente. Bento vê uma semelhança terrível entre o pequeno Ezequiel e
seu amigo Escobar, que, numa de suas aventuras na praia - o personagem
era excelente nadador -, morre afogado.
Bento enxerga no filho a
figura do amigo falecido e fica convencido de que fora traído pela
mulher. Resolve suicidar-se bebendo uma xícara de café envenenado.
Quando Ezequiel entra em seu escritório, decide matar a criança, mas
desiste no último momento. Diz ao garoto, então, que não é seu pai.
Capitu escuta tudo e lamenta-se pelo ciúme de Bentinho, que, segundo
ela, fora despertado pela casualidade da semelhança.
Após
inúmeras discussões, o casal decide separar-se. Arruma-se uma viagem
para a Europa com o intuito de encobrir a nova situação, que levantaria
muita polêmica. O protagonista retorna sozinho ao Brasil e se torna,
pouco a pouco, o amargo Dom Casmurro. Capitu morre no exterior e
Ezequiel tenta reatar relações com ele, mas a semelhança extrema com
Escobar faz com que Bento Santiago o rejeite novamente. O destino de
Ezequiel é infeliz: ele morre de febre tifóide durante uma pesquisa
arqueológica em Jerusalém.
Triste e nostálgico, o narrador
constrói uma casa que imita sua casa de infância, na rua de Matacavalos.
O próprio livro é também uma tentativa de recuperar o sentido de sua
vida. No fim, o narrador parece menosprezar um pouco a própria criação.
Convence-se de que o melhor a fazer agora é escrever outra obra sobre "a
história dos subúrbios".
Lista de personagens
Bentinho (Bento Santiago): o narrador-personagem que conta suas memórias, membro da elite carioca do século XIX.
Capitu (Capitolina): grande amor de Bentinho, personagem de origem pobre, mas independente e avançada.
Escobar: o melhor amigo de Bentinho, a quem conheceu quando estudaram juntos no seminário.
Dona Sancha: mulher de Escobar, ex-colega de colégio de Capitu.
Dona Glória:
mãe de Bentinho, adora o filho e é também muito religiosa. Quer que o
garoto se ordene padre como cumprimento de uma promessa que fez.
José Dias:
agregado que vive de favores na casa de dona Glória. Suposto médico,
tem o hábito de agradar aos proprietários da casa com o uso de
superlativos.
Tio Cosme: irmão de dona Glória, viúvo e advogado.
Prima Justina: prima de dona Glória, que, segundo o narrador, não tinha papas na língua.
Pedro de Albuquerque Santiago: pai de Bentinho, faleceu quando o filho ainda era muito pequeno.
Senhor Pádua e
Dona Fortunata: pais de Capitu, que viam no possível casamento da filha com Bentinho uma possibilidade de ascensão social.
Ezequiel:
filho de Capitu, sobre o qual o narrador sustenta forte dúvida quanto à
paternidade, pois o garoto tinha grande semelhança física com Escobar.
Sobre Machado de Assis
Joaquim
Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839 na cidade do Rio
de Janeiro. Neto de escravos alforriados, foi criado em uma família
pobre e não pode frequentar regularmente a escola. Porém, devido a seu
enorme interesse por literatura, conseguiu se instruir por conta
própria. Entre os seis e os quatorze anos, Machado de Assis perdeu sua
irmã, a mãe e o pai.
Aos 16 anos, Machado conseguiu um emprego
como aprendiz em uma tipografia, vindo a publicar seus primeiros versos
no jornal "A Marmota". Em 1860 passou a colaborar para o "Diário do Rio
de Janeiro" e é dessa década que datam quase todas suas comédias
teatrais e "Crisálidas", um livro de poemas.
Em 1869 Machado de
Assis casou-se com Carolina Augusta Xavier de Novais sem o consentimento
da família da moça, devido à má fama que Machado carregava. Porém, este
casamento mudou sua vida, uma vez que Carolina lhe apresentou à
literatura portuguesa e inglesa. Mais amadurecido literariamente,
Machado publica na década de 1870 uma série de romances, tais como "A
mão e a luva" (1874) e "Helena" (1876), vindo a obter reconhecimento do
público e da crítica. Ainda na década de 1870, Machado iniciou sua
carreira burocrática e em 1892 já ocupava o cargo de diretor geral do
Ministério da Aviação. Através de sua carreira no serviço público,
Machado de Assis conseguiu sua estabilidade financeira.
A obra
literária de Machado era marcadamente romântica, mas na década de 1880
ela sofre uma grande mudança estilística e temática, vindo a inaugurar o
Realismo no Brasil com a publicação de "Memórias Póstumas de Brás
Cubas" (1881). A partir de então a ironia, o pessimismo, o espírito
crítico e uma profunda reflexão sobre a sociedade brasileira se tornarão
as principais características de suas obras. Em 1897, Machado funda a
Academia Brasileira de Letras, sendo seu primeiro presidente e ocupando a
Cadeira Nº 23.
Em 1904, Machado perde a esposa após um
casamento de 35 anos. A morte de Carolina abalou profundamente o
escritor, que passou a ficar isolado em casa e sua saúde foi piorando.
Dessa época datam seus últimos romances: "Esaú e Jacó" (1904) e
"Memorial de Aires" (1908). Machado morreu em sua casa no Rio de Janeiro
no dia 29 de setembro de 1908. Seu enterro foi acompanhado por uma
multidão e foi decretado luto oficial no Rio de Janeiro.
Seus
principais romances são: "Ressurreição" (1872), "A mão e a luva" (1874),
"Helena" (1876), "Iaiá Garcia" (1878), "Memórias Póstumas de Brás
Cubas" (1881), "Quincas Borba" (1891), "Dom Casmurro" (1899), "Esaú e
Jacó" (1904) e "Memorial de Aires" (1908). Além dessas obras, Machado de
Assis possui uma extensa bibliografia que abrange poemas, contos e
peças teatrais.